
Relato lúcido, digno e sem autopiedade
sobre como continuar viva quando a vida
deixa de ser óbvia
Minha Vida com Câncer: Quando Viver Deixa de Ser Óbvio é um relato autobiográfico cru e comovente, no qual Letícia Lanz — psicanalista, pensadora, poeta e escritora — narra sua travessia pelo diagnóstico e tratamento do câncer de pâncreas. Com a honestidade literária que lhe é característica, a autora transforma uma experiência dolorosa em uma reflexão profunda sobre o sentido da vida, a finitude, a solidão existencial e a coragem de enfrentar o desconhecido.
O livro não é um manual de autoajuda, nem uma história de vitória ou derrota. É, acima de tudo, um testemunho sincero sobre o que significa viver com uma doença grave sem se deixar reduzir a ela - nem se seduzir por ela. Ao longo das páginas, Letícia mostra que o câncer não aparece como um inimigo a ser combatido, mas como algo que precisa ser compreendido e aceito com maturidade — uma nova companheira de jornada, “aborrecida, incômoda, desconfortável e muitas vezes irritante, mas, ainda assim, companheira”.
A obra atravessa temas como a relação médico-paciente, o estigma social que cerca a doença, a “síndrome da ameba” pós-quimioterapia, a solidão ontológica do paciente oncológico, o peso do olhar do outro e a pressão pela “guerreirice” imposta pela sociedade. Com referências a Nietzsche, Freud, Susan Sontag, Viktor Frankl e muitos outros, a autora tece uma narrativa que dialoga com a literatura, a filosofia, a psicanálise e a espiritualidade.
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Por que ler este livro?
Ele destrói a narrativa tóxica do "guerreiro do câncer".
É um antídoto contra a positividade tóxica e a romantização da doença. Letícia recusa a metáfora da guerra ("não quero travar nenhuma guerra contra a doença. O câncer não é um inimigo externo: é parte de mim"). Ela critica abertamente a pressão social para ser forte, inspiradora e bem-humorada o tempo todo. Ela nos dá permissão para sentir raiva, medo, cansaço e nojo — e ainda assim continuar. Este é um dos textos mais corajosos que você vai ler sobre o direito de não ser herói."Não quero ser uma guerreira. Quero tão somente fazer o que estiver ao meu alcance para me recuperar, sem ter que representar bravura e obstinação."
É um testemunho vivo sobre o que realmente sustenta um ser humano.
O livro alterna entre a profundidade filosófica e a concretude da vida cotidiana. Ela fala do medo da morte, da angústia existencial e do confronto com a finitude. Mas também fala da equipe de enfermagem que a cobre com um cobertor, do fisioterapeuta que diz "só mais um", da companheira Angela que limpa sua diarreia sem julgamento, da neta que escreve um lembrete gigante para ela não esquecer a insulina.
A grande lição do livro é que a transcendência não está no grande gesto heroico, mas na somatória dos pequenos atos de cuidado — os "pequenos subornos" (comprar uma blusinha barata na internet), o ritual da acupuntura, o mantra "Eu confio, eu entrego, eu aceito, eu agradeço".
Ele resolve, na prática, o falso dilema entre espiritualidade e realidade.
Letícia apresenta uma espiritualidade sem dogmas, sem Deus punidor, sem barganha. Sua fé é existencial e prática: é a coragem de viver sem garantias. Seu mantra é uma tecnologia psicológica de rendição ativa. Ela mostra que é possível ser profundamente espiritual sem fugir da realidade — pelo contrário, "mergulhando nela ainda mais fundo". "O Divino não tem um plano pré-determinado para a minha vida, nem exige nada de mim. O livre-arbítrio é a base da minha relação com o Divino."
É um raro exemplo de "teoria vivida", não apenas explicada.
A autora não é apenas uma paciente: é uma psicanalista de longa data. O livro é, simultaneamente, um relato de sofrimento e um "auto-estudo clínico" de rara honestidade. Ela não aplica conceitos de Freud, Lacan, Kristeva, Balint e Ferenczi de forma abstrata. Ela mostra como o "Princípio do Prazer" e o "Princípio da Realidade" brigam dentro dela durante a quimioterapia. Ela vive o "abjeto" de Kristeva quando o corpo falha e a diarreia a envergonha. Ela experimenta o Unheimliche (o estranho familiar) ao não se reconhecer no espelho. Para quem estuda psicanálise, é um material clínico de primeira linha. Para o leigo, é uma demonstração de que a teoria psicológica pode ser uma ferramenta de sobrevivência, não apenas um discurso acadêmico.
A Quem se Destina
Minha Vida com Câncer é uma obra que fala não apenas a quem enfrenta a doença, mas a qualquer pessoa que precise lidar com perdas, limites e incertezas. É um convite à reflexão sobre a vida em sua plenitude, mesmo diante da dor, e um testemunho de que enfrentar não é negar, mas viver com dignidade e coragem.
O livro não é um manual de autoajuda nem uma narrativa de vitória ou derrota. É um testemunho honesto e sensível sobre como o câncer atravessa não apenas o corpo, mas também a existência, os afetos e os vínculos sociais. Com coragem, Lanz questiona preconceitos, desconstrói estigmas e propõe uma visão crítica sobre os fatores sociais, culturais e econômicos que permeiam o adoecimento.
Nota importante: leitura não-recomendada para quem busca autoajuda otimista, fórmulas prontas de "cura pela fé" ou relatos superficiais de superação. Este livro é denso, por vezes doloroso, e exige do leitor a mesma honestidade que a autora teve ao escrevê-lo.
Leitura indispensável para quem:
* Enfrenta ou já enfrentou o câncer (ou qualquer doença grave) e está cansada das narrativas fáceis de superação.
* É profissional da saúde (médico, enfermeiro, psicólogo, fisioterapeuta) e quer lembrar do que realmente importa no cuidado: a pessoa, não o protocolo.
* Estuda psicanálise e quer ver os conceitos freudianos e lacanianos aplicados à experiência viva da finitude.
* Busca uma espiritualidade madura, que não nega a dor nem promete milagres, mas oferece ferramentas para sustentar o insustentável.
* Ama alguém com câncer e quer entender, sem falsas compaixões, o que se passa na alma de quem adoece.
Letícia Lanz é Psicanalista, economista, mestre em Sociologia e especialista em Gênero e Sexualidade. Aos 74 anos, casada, três filhos e cinco netos, une sua bagagem acadêmica a uma longa trajetória como consultora de RH e palestrante para debater diversidade, direitos humanos e a coragem de ser quem se é.
Autora de livros fundamentais sobre a experiência transgênera no Brasil (O Corpo da Roupa, A Construção de Mim Mesma), Letícia também compartilha conhecimento no Arquivo Transgênero, referência no tema desde 2006. É casada há 49 anos, pai de três filhos e avô de cinco netos, transformando sua vivência pessoal em uma escrita lúcida e sensível.

Sobre a Autora
Releases para Mídia
Release 01
Além da “superação”: Letícia Lanz lança Minha Vida com Câncer, relato psicanalítico sobre finitude, dignidade e a arte de viver no impossível
Release 02
Chega ao público a obra Minha Vida com Câncer: Quando Viver Deixa de Ser Óbvio, escrita por Letícia Lanz. Trata-se de um mergulho filosófico e sensível na experiência humana diante da doença, oferecendo ao leitor um novo olhar sobre a vida, a finitude e a resiliência.
Release 03
O livro não é um manual de autoajuda nem uma narrativa de vitória ou derrota. É um testemunho honesto e sensível sobre como o câncer atravessa não apenas o corpo, mas também a existência, os afetos e os vínculos sociais...

Análises Críticas
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